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As larvas fracassam na Doença de Crohn

A sócia alemã da Coronado Biosciences terminou um experimento clínico com ovos de Trichuris suis – um nematóide parasita de porcos – para a doença de Crohn devido a falta de eficácia. Esta medida foi tomada por recomendação de um comitê de monitoramento de dados independente que observou que não surgiu qualquer questão sobre segurança durante o estudo, chamado de TRUST-2.

O comitê realizou uma segunda análise provisória envolvendo 240 pacientes que haviam sido tratados durante 3 meses em um estudo conduzido pela Dr. Falk Pharma GmbH. O Diretor-presidente da Coronado, Harlan Weisman, admitiu que a empresa não ficou surpresa com os resultados insatisfatórios porque seu próprio experimento duplo-cego, TRUST-1, sobre o tratamento com helmintos em Crohn também havia demonstrado eficácia inadequada. O TRUST-1 não havia atingido seu pico de resposta primário, que foi definido como uma diminuição de 100 pontos no Índice de Atividade da Doença de Crohn, nem o pico de remissão secundário ou uma pontuação de 150 ou menos no índice de atividade da doença. “Acreditamos que [ovos de Trichuris suis] tem potencial terapêutico em outras doenças e continuaremos trabalhando diligentemente para promover seu desenvolvimento para o tratamento de doenças autoimunes”, disse Weisman em uma declaração.

Os helmintos parasitários evoluíram para viver em seus hospedeiros mamíferos, que respondem com a liberação de várias citocinas da família das interleucinas e outras células do sistema imunológico, tais como eosinófilos e mastócitos. A resposta geral é similar ao componente Th2 da resposta imunológica. Estudos epidemiológicos descobriram que o predomínio da doença inflamatória intestinal é maior em locais onde infecções helmínticas deixaram de existir e estudos clínicos envolvendo pequenos animais sugeriram que a infecção induzida pode proteger contra a autoimunidade. A empresa explicou em sua página na Internet que T. suis não é patogênico em humanos, “não possui fase sistêmica, não se multiplica em humanos, não é diretamente transmissível por contato e é removido espontaneamente.”

Fonte: MedPage Today, 8 de novembro de 2013, por Nancy Walsh.
Foto: http://www.sheba.co.il